Mara Regina Weiss

Meu Diário
14/06/2011 17h34
DA FÉ

Publicado por Mara Regina Weiss em 14/06/2011 às 17h34
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Mara Regina Weiss e o site marareginaweiss.recantodasletras.com.br). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
09/06/2011 15h53
ENXERGAR ESTRELAS

 

A hora mais escura da noite é justamente 
aquela que nos permite ver melhor as estrelas".

-- Charles A. Beard


Publicado por Mara Regina Weiss em 09/06/2011 às 15h53
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07/06/2011 09h33
FIM DA SEGUNDA QUIMIO – A CONFIANÇA NO QUE ESPERAMOS

 

Nesta noite eu dormi bem. Acordei só com o enfermeiro vindo trazer medicamentos. Ontem quando fui dormir tava um pouco preocupada com o olho, mas ele tá meio que abrindo a pálpebra já. Imediatamente eu lembrei de uma parte do Evangelho segundo Mateus, que o maridão sempre me manda ler quando me bate uns baixos:

 

Mateus 6:21-34 “Portanto, não fiquem preocupados, dizendo: ‘Onde é que vou arranjar comida, bebida e roupas?’ Os pagão estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês … sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar nas sua vidas o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e Ele lhes dará todas as outras coisas. Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades.”

E ainda mais;

          Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem fazem provimentos nos celeiros; e,  contudo, vosso Pai celestial as sustenta. Porventura não sois muito mais do que elas? E qual de vós, discorrendo, pode acrescentar um côvado à sua estatura? E por que andais vós solícitos pelo vestido? Considerai como crescem os lírios do campo; eles não trabalham nem fiam; digo-vos mais, que nem Salomão, em toda a sua glória, se cobriu jamais como um destes. Pois se ao feno do campo, que hoje é e amanhã é lançado no forno. Deus veste assim, quanto mais a vós, homens de pouca fé? 

Como tudo isso é tão verdade! Como DEUS nos dá tudo de que precisamos quando temos fé. Basta que a gente coloque tudo em suas mãos...E espere... Pois é Nele que devemos esperar. Ele é quem atende os nossos pedidos. Não há porque se preocupar com o amanhã...

Como diz o salmo, os pássaros do céu são sustentados com a comida que nem produzem e os lírios são vestidos melhor que os reis. Porque Deus não o faria por nós? Hoje que acabou essa segunda sessão dde quimioterapia eu entendi ainda um pouquinho mais de FÉ.  

Hoje to bem! A maquininha foi embora,ihuuuuuuuu....Os médicos disseram que nos exames não apareceu nada de grave... Tudo que pedi a Deus tá acontendo, não tive mais aquelas reações de antes da primeira quimio...

Tô tranquila, e feliz.  


Publicado por Mara Regina Weiss em 07/06/2011 às 09h33
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06/06/2011 12h08
DEUS: A NOVA FORNADA DE CORAGEM

 

"Depois de cada momento de fraqueza, meu coração prepara, em silêncio, uma nova fornada de coragem. Às vezes cansa, sim, mas combinamos (eu e ele) de não desistir da força que verdadeiramente nos move". (Ana Jácomo)

Como eu sempre falo, preciso sempre das novas “fornadas” de coragem. E, desta vez a fornada demorou a ficar pronta depois da primeira experiência.  Mas quando vi quem fez!!  De longe, depois de rezar muito e orar pelo tratamento percebi alguém tirando grandes fornadas de coragem do forno... Grandes pães de confiança  (prá dividir com a minha famíia) iam enchendo a minha boca, baguetes de paciência, da tolerância, e muitos, mas muitos pedaços do pão da FÉ,  e esta, Ele  próprio me serviu... Sei que foi Deus , senti sua mão em minha cabeça dizendo baixinho: Coragem, Eu estou aqui, contigo, Mulher.  Tens pouca fé? Foi Ele eu sei!!

Na ultima quarta me internei prá segunda sessão de quimio. Não sem antes passar por mais uma “cirurgiazinha” prá poder implantar mais um cateter (agora no pescoço, já que o anterior infeccionou e foi retirado). Na quinta feira ela já veio me visitar! Quem ??? A máquina, lógico... A dita cuja maquininha na qual, agora, segunda, 06 de junho, as 1o:37 eu já estou conectada de novo há pelo menos 80 horas de novo... A última bolsa deste ciclo de quimio vai acabar hoje... Como diria o meu filho: Uhuuuuuuuuuuu...

Ainda não sei do resultado dos novos exames, apenas que o do liquor que havia dado negativo agora tem uns probleminhas mas muitos mais exames de sangue estão sendo feitos. A Angiotomografia no parecer da hematologista não deu nada de grave... Ah, meu olho depois de um vômito deu uma tal de ptose palpebral. Fechou, caiu a pálpebra, caiu, mas já estão fazendo montes de exames também...

Agora é só esperar... Se não fosse isso no olho já poderia estar quase indo embora de novo. Mas Deus, (o meu padeiro preferido) sabe bem o que faz... Tenho ainda muita fé aqui guardada.  


Publicado por Mara Regina Weiss em 06/06/2011 às 12h08
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05/06/2011 18h06
A VERDADE: É COMIGO SIM! - A PRIMEIRA QUIMIOTERAPIA- O PNEUMOTORAX

Quando a verdade se instala e você vê que tudo isso tá a contecendo e é mesmo com você, o medo vem forte... As dores junto... os exames, os milhares de exames (alguns nem dão nada de negativo, mas é muito exame....). exames de sangue, hemograma, leucograma, glicose, creatinina, uréia, TGA, \TGP, fosforese de proteína, raio-x, tomografia, raio -x,  dá-lhe mais tomografia, ultrasom, biópsia, mais raio-x, mais ressonância magnética, mais biópsia, mais  o escambau... Muiiiiiiiiiiiitos exames...

Depois de internada então o negócio parece que dobra de tamanho... Antes da primeira sessão de quimio (olha como fiquei íntima dela), são muitos exames mais... Uma maratona... Primeiro as retiradas de matérias para as biópsias, a espera desses resultados  sempre parece interminável. A biópsia da boca se confirmou, dos seios também como linfoma. A biópsia do liquor “deu boa”, (essa era a mais esperada)...

Depois ainda uma cirurgia para implantação de um cateter no peito prá poder infundir a quimio através de uma máquina infusora da qual eu não pude ficar afastada por 96 horas seguidas, e dá-lhe ela mandar aquilo tudo prá dentro do meu corpo... É no mínimo estranho você ficar ali quietinha olhando uma máquina “enfiar” prá dentro de você um “veneno” que mata as tuas células... Mas saber que é este veneno que vai te fazer viver... Aí é que dá prá entender bem aquela velha história de que “a diferença entre o veneno e o remédio está apenas na dose que se administra”. Não é que é assim mesmo?

Eu pirei. Saí da “casinha” literalmente. Passei mal olhando aquela máquina ali e 96 horas grudada nela, eu pirei mesmo. Briguei, esperneei, enjoei, fiz birra, e o que é pior: quis desistir. Eu que sempre me achei e me senti tão forte, fiquei ali me sentindo como aqueles ratinhos que ficam só com o rabinho prá dentro da ratoeira e o resto do corpo querendo sair... sem poder... Porque ele sabe que se sair (talvez até consiga), perde uma parte do corpo, e se ficar... bem, se ficar é a angústia. Sem contar que o tal do cateter no peito resolveu infeccionar. Mas também não foi só isso: como o meu pulmão já sempre foi bem “enjoadinho” (prá não dizer outra coisa) resolveu ter um pneumotórax. Ou melhor o peito se encheu de bolhinhas de ar que vieram fazer a festa fora dele, no abdômen, no rosto,nas pernas  (fiquei com o rosto totalmente inchado em forma de balão meeesssssmo).  Nem eu acreditei quando me olhei no espelho.  Aí meu filho, “se fugir o bicho pega, se ficar o bicho come”. As bolhas foram sumindo devagar, e pela cabeça...

A minha salvação (como sempre foi e é) foi a minha família. Meu marido, o homem da minha vida que tenho certeza, veio prá ela prá me amar e me ensinar a ser melhor. Paciente, amoroso, cuidadoso. Meu filho, outro amor da minha vida  que veio da Africa (onde mora) só prá me ver e me mimar com todo aquele amor de filho que extravasa nos seus olhos, nos seus abraços e beijos... minha sobrinha-quase-filha como eu a chamo, Sabrina, fazendo festa de aniversário no hospital prá mim,  meus irmãos dando força vindo me visitar, ou mesmo de longe, pelo telefone apenas. Minha irmã,  do Rio Grande do Sul (horas e horas de viagem me mimando também). E minha mãezinha, do alto dos seus 80 anos acariciando meu rosto prá eu dormir...Isso é incontável, indizível, impagável... 

Nisso tudo, essa foi a parte melhor da história.


Nem vou falar mais muito dessa primeira sessão angustiante e de como eu fiquei. Não vale a pena. Apenas que de repente meu cabelo começou a cair todinho. Era só enfiar os dedos entre eles e vinha um tufo deles. Minha prima Beth (amor de pessoa) no outro dia trouxe um cabeleireiro ao Hospital. Passou a máquina, eu nem vi, só via o cabelo caindo. Me trouxe também um lenço pink  (bem rosa Pink mesmo) e um brinquinho lindo que ambos me colocaram. Um batonzinho rosa e lá estava eu, a Mara versão O CLONE 2011.



Um dia depois eu tive alta. Era 17 de maio.



Publicado por Mara Regina Weiss em 05/06/2011 às 18h06
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